terça-feira, 29 de novembro de 2011

ARTIGO - PESQUISAS DE EMPREGO E DESEMPREGO MOSTRAM ALGO ALÉM DA ESTABILIDADE

*Por Tadeu de Oliveira

Esse artigo começou a ser escrito em julho. Aliás, foi concluído na mesma semana, mas não foi publicado porque a visão geral da Grande Imprensa seguia em rumo contrário à tese por ele defendida.
Passados quatro meses, a estabilidade se manteve, os dados pesquisados se consolidaram e permitiram a elaboração de um artigo melhor fundamentado, confirmando a tese proposta de que o número de empregos gerados está diminuindo porque também está diminuindo o número de trabalhadores desempregados.
Ou seja, uma estabilidade positiva e não negativa, como apregoam alguns. Então, vejamos: o nível de emprego no Brasil pode não ter crescido como o esperado em outubro, mas o índice de desemprego apurado pelo IBGE se manteve estável, com queda de 0.2 ponto percentual em relação a setembro – caiu de 6,0% para 5,8%, num dos melhores resultados verificados na história desse país, como diria Lula.
Se comparado com os meses anteriores, teremos os seguintes dados: 6,1% em janeiro, 6,4% em fevereiro, 6,5% em março, 6,4% em abril, 6,4% em maio, 6,2% em junho, 6,0% em julho, 6,0% em agosto, 6,0% em setembro e 5,8% em outubro. Nível de desemprego em descendente!
Um claro sinal de que há menos brasileiros procurando emprego e mais pessoas empregadas. Pode ser difícil de entender, mas é fácil de compreender: com menor contingente de trabalhador desempregado, é lógico que haja menor número de pessoas sendo empregada. Simples assim, lógico!
E alguns dos ditos entendidos estão fazendo farol, dizendo que o mercado de trabalho sofre com a desaceleração da economia. Pode até ser, porque, no entender de alguns especialistas, em outubro foram empregadas ‘apenas’ 126.563 pessoas, ante 209.078 em setembro, 190.446 em agosto, 140.563 em julho, 215.212 em junho e 257.067 em maio, conforme dados levantados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.
Um resultado 38,4%% menor do que o verificado no mesmo mês (outubro) do ano passado, quando foram gerados 204.804 empregos. Mas quantos postos de trabalho não foram criados e preenchidos nesse intervalo de um ano? Algo em torno de três milhões, já que somente em 2011 foram preenchidas 2.241.754 vagas, segundo dados do mesmo Caged.
Pode não ser nada para alguns, mas analisando simplesmente assim, é lógico que se um menor número de vagas de empregos estão sendo preenchidas, é porque tem um menor número de trabalhadores procurando empregos a cada mês que passa.
Portanto, é de se concluir que em um ano boa parte desse contingente que deixou de procurar emprego já o encontrou. Excluindo, também logicamente, os trabalhadores que entram no chamado rodízio de emprego e desemprego, muitas vezes porque preferem trabalho temporário ou atuam em atividade sazonal – certos setores da agricultura, turismo em alta temporada ou bicos de final de ano, por exemplo.
Apenas vagas que exigem capacitação acima da média não estão sendo preenchidas no mesmo ritmo. Elas existem, são muitas e inclusive estão atraindo trabalhadores desempregados em países considerados de primeiro mundo.  

* Egresso de Faculdade de Administração com ênfase em Comércio Exterior, formado e diplomado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo, Tadeu de Oliveira é analista político, econômico e esportivo.

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